É desesperador
dormir uma menina e acordar a sósia da Hebe. Sim, somos mulheres, logo somos
dramáticas. Não é fácil dormir cinderela e despertar com as ruguinhas no rosto
gritando, em alto e bom som, que você está envelhecendo.
No universo
feminino a “velhice” nunca será bem vinda e quando chega traz um tsunami de
preocupações como: essa roupa combina com a minha idade? essa maquiagem não
está muito forte? Meu Deus, por que meu corpo mudou tanto? Sem contar a neura
de não querer sentar mais só pra não ter que ver sua barriga se multiplicar em
duas, quatros e até mais panças. Porém, creio que o pior questionamento ligado
à idade ainda é a solidão e o medo de não mais conseguir se relacionar depois
que perdemos a majestade da juventude.
Pois bem, com
o medo da solidão acabamos driblamos nossas seleções, enganamos nosso “inmetro”
(sim, quando jovens desejamos o carinha mais cobiçado da escola, ou o vizinho
surfista que todo o bairro comenta, tem também aquelas beldades da balada que
parecem galã de seriado), enfim... com a idade passando você filtra apenas três
coisas: intelectualidade, estabilidade financeira e se o cara é limpinho. O
foda é aparecer um cara nada a ver na sua frente e você esquecer de ativar seu
controle de qualidade e puft... nos apaixonamos (ou pensamos estar apaixonadas)
pelo cara que é, simplesmente, nada a ver com qualquer coisa que você tenha
conhecido ou beijado na vida.
Um dia na
balada conheci o sósia do Esqueleto, o do desenho da She-ha, mas ele foi tão
bonzinho, sorriu, foi educado, falava corretamente, alto, corpo nota 6,5
(passou dos 45 não dá pra exigir muito), ofereceu-se para pagar uma bebida,
enfim, fez tudo que é obrigação de qualquer homem fazer, mas como só tem ogro
nas casas noturnas e os “maravilhosamente lindos” nem olham, foi o suficiente
para eu me interessar pelo tão senhor.
Os primeiros
encontros foram incríveis, a pessoa toda respeitosa (eita, será que meu vocabulário
também ficou obsoleto?!), não forçou nenhuma ação sexual, tipo aquelas
passadelas de mão, ou o famoso “vuco vuco”, no começo achei o máximo, o cara
estava me respeitando e não me via apenas como um contato para um sexo rápido.
Enfim, fui me encantando, estava lindo e chegamos ao nosso segundo mês, depois
de dezenas de encontros a coisa rolou...
Enfim, melhor
não dar nota, né? Afinal o restante compensava... E a coisa foi indo... você
“meio” feliz por não estar só, mesmo todas as suas amigas te perturbando o
juízo e questionando o porque você estava com aquele cara que nada tinha a ver
com você. Não tenho menor preconceito com idade, mas de fato elas estavam
corretas, se eu me achava a Fernanda Montenegro, o cara era Abraham Lincoln,
logo era nítido a diferença entre nos dóis. O pior é você esquecer de tudo que
já passou com outros relacionamentos e permitir que essa pessoa, que não tem
absolutamente nada a ver com você, te modificar ou querer sistematizar um
relacionamento, mas lá estava eu, achando que estava bacaninha estar com uma
pessoa tão diferente, tentei pensar que era uma forma de eu mudar meu modo de
me relacionar, meu jeito genioso de seguir as coisas, enfim...
A minha “meia”
felicidade foi finalizada com um tapa que a própria maturidade nos dá, ao mesmo
tempo que você se torna uma pessoa mais carente, preocupada em ficar só, você
se dá conta que a tal “velhice” também te deixa mais sincera, mais sagaz e, pra
quem já comeu caviar, jamais aceitaria se alimentar de um
misero pão com ovo. E o pior é quando a mortadela começa a se achar em cima de você,
começa a pensar que pode te desprezar ou tentar mudar sua personalidade.
E ai você
volta a ter a sagacidade dos seus 20 anos, aquela idade que você enxerga
melhor, grita melhor, corre melhor e foi o que fiz, corri quilômetros de
distância, tentei retornar, admito, não queria ficar só, mas continuei minha
caminhada, não me tornei atleta, ainda, mas aprendi uma coisa: a carência é cega e inocente, mas nada que a
idade não possa te ajudar.

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